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Refrigeração Comercial Mudando

Comportamento do consumidor e novos fluidos refrigerantes impactam o setor.

Mercado apresenta muitas oportunidades para empresas e profissionais.

Rogério Marson Rodrigues

Gerente de Engenharia da Eletrofrio Refrigeração

Engenheiro mecânico industrial, Rogério Marson Rodrigues é um dos principais especialistas em refrigeração comercial no Brasil. Depois de 8 anos no mercado de sistemas de ar condicionado para aplicações de Salas Limpas, ingressou em 1997 na Eletrofrio Refrigeração, empresa que se dedica à fabricação e instalação de equipamentos de refrigeração para supermercados.

Como está o mercado de refrigeração comercial no Brasil hoje?

Houve uma pequena retração no ritmo de expansão do mercado nos últimos anos, quando comparado ao crescimento do período de 2010 a 2014. Naquela época, a Região Nordeste viveu uma forte expansão em função do aumento do poder aquisitivo da população. 

O que está mudando?

Estamos experimentando uma grande mudança do comportamento do conceito de exposição e venda do varejo e dos projetos dos sistemas e equipamentos de refrigeração. Em função da crise econômica brasileira e da redução do poder aquisitivo, que forçaram a população a buscar preços mais baixos, ocorreu uma grande expansão dos atacarejos, que são um mix entre o varejo tradicional e o atacado. 

Junto com isso, está a necessidade de soluções para substituir os fluidos refrigerantes sintéticos, que causam danos ao meio ambiente. Essas soluções também precisam proporcionar maior eficiência energética aos sistemas de refrigeração.

Esse processo já avançou? 

As grandes mudanças que citei ainda não estão consolidadas. Novos projetos de sistemas e equipamentos de refrigeração estão em desenvolvimento e parte já está em uso. O mercado está avaliando aqueles que mais se adequam às condições climáticas brasileiras e que estejam dentro das expectativas de custo e capacitação dos profissionais. Porém, as restrições ambientais farão com que esses movimentos ocorram de forma mais rápida e efetiva, exigindo mais investimento financeiro e capacitação dos técnicos e engenheiros de refrigeração.

Onde há potencial para maior utilização de refrigeração comercial? 

Existe hoje uma ampla gama de conceitos e tamanhos de lojas de supermercados: do varejo tradicional ao atacado, passando pelo atacarejo e pelas lojas de vizinhança (com área de venda reduzida e instaladas em regiões de alta densidade populacional), até chegar aos hipermercados com 7.000 m². Isso significa um grande potencial de consumo de equipamentos e serviços de refrigeração. Menores em tamanho, mas grandes em quantidade, lojas de conveniência e padarias são outros mercados, porém demandam projetos e estratégias específicas.

Ainda existem boas oportunidades para montadoras nesse mercado? 

Sim. As grandes oportunidades estão no desenvolvimento de sistemas e equipamentos que possam utilizar fluidos refrigerantes de baixo ou nulo impacto ambiental, e que tenham altos índices de eficiência energética. Mas também já começamos a ser questionados por parte de nossos clientes por avaliações do TCO (Total Cost of Ownership, ou custo total de propriedade: quanto custa um determinado produto ou sistema ao longo de todo o seu ciclo de vida, incluindo aquisição, manutenções, energia que utiliza etc.). Antes não havia essa preocupação influenciando a decisão de compra. 

Como profissionais de assistência técnica podem se beneficiar desse crescimento?

Os profissionais de assistência técnica podem, e devem, se aproveitar das mudanças tecnológicas que estão ocorrendo no mercado de refrigeração comercial. Os novos sistemas de refrigeração exigirão uma capacitação profissional que é pouco disponível no mercado brasileiro. Isso abre oportunidades para o crescimento de quem identificar essa necessidade e se especializar.

Quais são as principais tendências para os próximos anos? 

Se avaliarmos o conceito de loja, os atacarejos continuarão sendo um formato de supermercado que permanecerá em crescimento, da mesma forma que as lojas de vizinhança. Já para os sistemas de refrigeração, vejo como principal tendência a chegada de forma mais efetiva dos fluidos refrigerantes naturais, principalmente o R744 (dióxido de carbono ou CO2) e o R290 (propano).

Quais os desafios colocados para empresas e profissionais que atuam na refrigeração comercial com essas tendências?

O grande desafio para os profissionais de refrigeração está em tornarem-se aptos a trabalharem com os fluidos naturais, cada qual possuindo características muito próprias e inexistentes nos fluidos sintéticos até então utilizados. O CO2, aplicado na condição transcrítica, possui pressões de trabalho muito elevadas quando comparado aos sistemas tradicionais, exigindo dos fabricantes e equipes de operação e manutenção, atenção especial na especificação de materiais, componentes e formas de utilização. Já o propano é inflamável, o que exige projetos e componentes específicos para a operação com segurança, fator crucial na especificação deste tipo de fluido. Em paralelo, porém ainda sem expectativa de aplicações em um futuro próximo, a amônia, um fluido tóxico, corre por fora como uma alternativa natural e de alta eficiência energética. Qualquer dessas três opções exigirá, do mercado e dos profissionais que nele atuam, grandes mudanças de comportamento.

Como as exigências ligadas à sustentabilidade impactam o setor?

As exigências ligadas à sustentabilidade estão mudando todas as perspectivas de futuro da refrigeração comercial. Vivemos um período de transição em busca de soluções que minimizem o impacto ambiental, seja pela aplicação dos fluidos naturais ou por sistemas eficientes que consumam menos energia elétrica. A aplicação do CO2 e do propano na refrigeração comercial, o uso das portas nos expositores e os expositores incorporados são todos reflexos dos efeitos dessas exigências.

Como avalia que o mercado caminha em relação à utilização de fluidos refrigerantes? Quais as tendências nesse aspecto?

Está clara para o mercado brasileiro a necessidade de busca de novas soluções para os fluidos refrigerantes tipo HCFC utilizados há décadas. O primeiro passo foi substituí-lo pelos HFCs, que estão cobrindo temporariamente a ausência de uma solução definitiva e que seja consenso em termos de custo, aplicação e eficiência. Os fluidos naturais, predominantemente o CO2 e o propano, estão se apresentando como as grandes alternativas, com estudos e desenvolvimentos já avançados e inúmeros cases em operação. Os fluidos tipo HFO, sintéticos, porém com baixo GWP (potencial de aquecimento global), são alternativas que podem ser uma solução de futuro, porém ainda não se sabe o quanto eles realmente podem ser uma alternativa viável diante de  qualquer nova regulamentação ambiental.

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